segunda-feira, 19 de maio de 2014

Dieta P3 refeita

Após menos de 1 mês de utilização tivemos necessidade de refazer o patê P3. 
Mesmo considerando que alguns cubinhos foram submetidos ao teste bromatológico e que assim não podiam ser mais reutilizados(conforme se percebe pelas imagens da postagem anterior), pudemos notar que algo em sua consistência não estava adequado desde a primeira vez.
Ao refazermos pela segunda vez, aumentamos um pouco a quantidade de carne(filé de pescada, camarão e lula) e diminuímos a quantidade de Cyclop- Eeze e spirulina.
Ao fim, pudemos notar uma dieta um pouco mais consistente, embora ainda um tanto quanto pastosa. 



quinta-feira, 15 de maio de 2014

Teste Bromatológico

Encasquetadas com a composição de nossos patês, fizemos uma análise bromatólogica( análise que avalia as substâncias nutritivas dos alimentos fornecidos aos nossos peixes) no nosso projeto, com o intuito de ganharmos informações sobre a eficiência dos nossos patês sobre os peixes palhaços.
A análise foi realizada no LABZOO- Laboratório de Nutrição Animal, na Universidade Federal do Paraná. Lá os patês congelados foram pesados e então levados para uma estufa, onde foram secados por um dia e meio. A seguir estão os valores com placa vazia(referente a placa onde os patês foram pesados) e da placa com patê, sendo possível notar que alguns patês exigiram mais de um cubo para análise, pois apresentavam muita umidade. O valor de matéria seca obtida nas amostras(que são úmidas) também está abaixo.

DIETA
PLACA VAZIA (gramas)
PLACA COM PATÊ (gramas)
P1
42,9366
46,0957
P1 A
60,5825
46,7151
P2
61,3942
28,2322
P2 A
56,6006
25,2075
P2 B
69,2588
27,2231
P3
62,7169
31,438
P3 A
57,9956
18,864
P3 B
59,1608
21,1464

TOTAL MS(%)
20,3422
20,3801
8,94156
8,68035
8,68894
15,5649
15,0938
15,1865

Após passarem pela estufa, os patês foram macerados até virarem pó.

Dietas saídas da estufa





As amostras foram então pesadas e destinadas a uma análise que durou uma semana. Os seguintes componentes foram requisitados:



RESULTADOS
Dieta P1:

Entre os três pates, foi o P1 que mostrou os melhores dados. Seu conteúdo de proteína foi menos elevado que os demais patês, embora ainda ultrapasse o proposto por Wilkerson (2003), de 50 a 60%.  Dos três patês o P1 foi também o que apresentou mais extrato étereo(lipídeos).

Dieta P2:

O patê P2, que tem como particularidade a alga nori e o complexo vitamínico, apresentou uma porcentagem bem elevada de proteínas(até porque a alga dá uma grande contribuição nesse ponto) e em compensação uma concentração baixíssima de lipídeos, o que pode ser devido os ingredientes, que apresentam porções mais razoáveis.

Dieta P3:

O patê P3 também apresentou porcentagem alta de proteína e poucos lipídeos, o que até nos surpreendeu, uma vez que esse patê tem na composição o Cyclop-Eeze, rico em ácidos graxos essenciais. Como produtos liofilizados requerem pouco aquecimento, isso talvez esteja relacionado, já que a temperatura em estufas é bem alta.

Sobre os resultados, em conversa com a professora Ananda Félix, a quem mostramos nossas análises, notamos que alguns valores ali podem ser questionáveis, como por exemplo o de Fibra Bruta, que apareceu totalmente zerado. Isso é devido aos procedimentos não eficientes que ainda são utilizados para a quantificação de fibras nas dietas, o que acaba subestimando os valores reais.
Infelizmente, a análise realizada no nosso projeto é bastante inconclusiva para chegarmos a um resultado. Análises de perfil de aminoácidos seriam bons complementos, assim como  a quantificação de ácidos graxos essenciais e outros elementos, o que nos daria dados mais completos para conclusão. Além disso, houve muito pouco tempo para avaliarmos o efeito destes três patês nos peixes palhaços, o que não permite análises conclusivas corretas.

Mande suas duvidas e sugestões para estudandonemos@gmail.com ou nos envie por comentário. 



terça-feira, 6 de maio de 2014

Mudanças no direcionamento do projeto

Passamos por uma fase delicada.
O fato de não conseguirmos nenhuma desova não é mais surpresa alguma. De uma dúvida causada por falta de informações(sim, nós não estávamos devidamente informadas quando propormos esse projeto) temos agora uma certeza que o que foi proposto não será atingido naturalmente no prazo de forma alguma. 
O problema poderia ter sido evitado? Com certeza se tivéssemos estudado o assunto com muito mais afinco, e não apenas superficialmente, veríamos que a nossa proposta de projeto é deveras abrangente e com requisitos improváveis para um período de tempo curto demais. Com um pouco mais de informação, com certeza teríamos sugerido um tema um pouco menos extenso.
Bem, agora é tarde e tudo que nos resta é trabalhar com o que temos, pois não queremos desistir facilmente diante da presença de obstáculos.


Não é segredo que caminhamos por caminhos totalmente errados durante o período de execução projeto. Também não é segredo algum que nos desesperamos mais do que fizemos realmente. Ao nos confrontarmos com contratempos perdemos muitas vezes o nosso rumo, uma vez que nossas análises até o momento foram monótonas e repetitivas, não indo nem pra frente e nem para trás. E o pior: elas não diziam quase absolutamente nada do que deveriam! 
Fizemos análises comportamentais apenas durante a alimentação dos peixes palhaços e nada além disso durante um bom tempo. Dias e mais dias fazendo e no fim percebemos que algo não estava correto... e era o fato de que algumas coisas que analisamos não eram nada conclusivas para o objetivo do nosso projeto. Do que adianta avaliar apenas o comportamento na alimentação? O que ele diz respeito com a formação de casais? MUITO POUCO! 
Ou seja, tempo perdido!
Nossa oportunidade no trabalho é agora questões comportamentais, até mesmo pois percebemos alguns comportamentos que se manifestam na hora da alimentação, como a própria agressividade. Porém, o nosso foco inicial, que era um trabalho apenas em cima da reprodução, se tornou agora algo extremamente complicado, por um erro nosso. Se tivéssemos entendido mais cedo do que se trata esse projeto, teríamos lidado com mais facilidade com nossos problemas. 
No fim, fazer esse projeto foi uma nova lição: de responsabilidade, comprometimento, crescimento pessoal e aprendizado profissional. Há males que vem para o bem, e podemos dizer hoje que aprendemos muito com os nossos erros.
A dica para quem se envolver em estudos é nunca vacilar com todos os requisitos que se impôs, afinal, o projeto é fruto de um pensamento pessoal, ou seja, é você quem o criou e portanto deve ter responsabilidades sobre ele.

Se quiser compartilhar uma de suas experiências ou então deixar sugestões, deixe um comentário ou então entre em contato conosco pelo e-mail estudandonemos@gmail.com

sábado, 3 de maio de 2014

As artêmias que não deram certo


A artêmia é um crustáceo de água salgada. Suporta uma variedade de temperaturas, desde 5ºC a 40ºC, embora tenha crescimento melhor na faixa de 25ºC à 28ºC. É também tolerante a mudanças na salinidade e a baixos teores de oxigênio dissolvido na água.
É sensível a luz, exigindo certa exposição a ela durante a fase de eclosão dos cistos.
A artêmia passa por quatro fases: cisto, náuplio e jovem. Na fase de cisto, possui de 0,2 a 0,3 mm; náuplio de 0,45 mm a 0,1 mm; jovem de 5 mm a 6 mm; e adulta de 15 a 16 mm, onde atingem a maturidade sexual com duas semanas.
É interessante citarmos que a introdução das artêmias no nosso projeto foi puramente com o objetivo de avaliar o comportamento predatório dos peixes palhaços quando recebem um alimento vivo, já que esse crustáceo é dado aos animais na sua forma viva, tal como ocorre na natureza. Porém, devido erros, acabamos cortando essa etapa do projeto.
A eclosão dos cistos de artêmia foi realizada duas vezes no nosso estudo. A primeira, feita mais em forma de teste pela Ana, foi importante para verificarmos se os métodos de eclosão estavam certos. Vimos que realmente estavam quando houve a eclosão destes crustáceos(mesmo não sendo de 100%) na primeira tentativa, porém, após 3 dias essas artêmias acabaram morrendo devido um nível alto de amônia no ambiente em que estavam(água salgada com boa aeração). A possível causa disso foi uma mudança repentina na alimentação das artêmias, que passaram da alga spirulina para a Chlorella por nossa decisão, pois a Chrolella apresenta melhores valores nutricionais e que consequentemente seriam transmitidos aos peixes palhaços quando houvesse a predação das artêmias.


Passo a passo até a eclosão de artêmia, conforme GIA(valores para 100g de cistos).


A nossa segunda tentativa foi um pouco mais bem sucedida em relação a duração, embora não tenhamos conseguido atingir o que realmente queríamos ao fim.
Com a experiência que obtivemos nessa fase do estudo, percebemos que o processo de eclosão de artêmias é um pouco trabalhoso, além de exigir bastante paciência. Abaixo se encontram algumas fotos do processo.

Etapa de encapsulação:  Lavagem de cistos com água para retirada do cheiro de cloro.



Etapa de eclosão: exposição de artêmias a luminosidade e a aeração.  Deve ser aguardado o tempo

As artêmias foram mudadas para o laboratório do nosso estudo e colocadas em um tambor com exposição a luz e aeração, para que ocorresse a eclosão. O resultado desta tentativa pode ser visto no vídeo abaixo:

Artêmias se movendo. Há também alguns cistos.

Após algumas horas, mudamos as artêmias de tambor novamente, para um onde elas ficariam permanentemente desde então. No entanto, ao não observamos evolução alguma no crescimento delas após 3 semanas as retiramos definitivamente do estudo. Vale ressaltar que alimentamos esses crustáceos apenas com a spirulina(em pó), que era dissolvida em 250 mL de água salgada e então homogenizada. 


Sujeira e cistos não- eclodidos no tambor onde artêmias estavam

Nenhuma artêmia restou 


Acreditamos a alimentação fornecida não atendeu devidamente as artêmias, o que foi ocasionado por um erro nosso, já que falhamos em resolver o problema assim que não detectamos o crescimento destes crustáceos.

REFERÊNCIAS:
http://nazonaentremares.files.wordpress.com/2011/06/artemia-salina.pdf
AGRADECIMENTOS: Ana Silvia Pedrazzani, que nos ensinou como eclodir as artêmias.

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Patês

Para começarmos as postagem sobre os patês que utilizamos no nosso projeto, iniciaremos com uma apresentação geral de composições particulares. Veja a seguir.


DIETA P1
GRAMAS
INGREDIENTES
50
Filé de Pescada
50
Camarão
50
Lula
50
Mexilhão
50
Vieira
24
Gelatina sem sabor
1 maço
Espinafre
50
Coração de Frango
50
Ração Industrial, TETRA
DIETA P2
GRAMAS
INGREDIENTES
120
Filé de Pescada


30
Camarão
30
Lula
30
Mexilhão
1 colher
Complexo Vitamínico
24
Gelatina sem sabor
1 folha
Alga Nori

DIETA P3
GRAMAS
INGREDIENTES
100
Filé de Pescada
30
Camarão
30
Lula
10
Cyclope eeze
10
Spirulina
24
Gelatina sem sabor
30
Coração de Frango























Com essas três dietas é possível notar a variedade de ingredientes disponíveis para a alimentação de peixes ornamentais. Observe que nas tabelas há alimentos de origem natural(carnes frescas, vegetais folhosos e alimentos liofilizados) e também industrial  nas composições de nossos patês, além claro, da gelatina sem sabor, que é utilizada para dar a consistência a cada um destes alimentos, permitindo que não se desmanchem facilmente.

Patês congelados(da esquerda para direita): P1, P2 e P3.


Da esquerda para direita:  1 cubo de patê P1, dois cubos do patê P2 e 1 cubo do patê P3.


Patês P1, P2,P3(esquerda pra direita) em suas formas descongeladas

Filé de pescado, camarão e lula, utilizados em todos os três patês, são fontes de proteína altamente assimilável e também de lipídeos. Além disso o carotenoide astaxantina, responsável pela coloração avermelhada em peixes, se encontra em proporções consideráveis nestes frutos do mar, o que é desejado para uma melhor aparência nos peixes palhaços e também, como nosso objetivo é a reprodução, na qualidade dos ovos.
A seguir, serão comentados os ingredientes particulares de cada patê.


PATÊ P1


 Como é possível notar na tabela sobre a composição deste alimento, optamos pelo uso de um ingrediente de origem vegetal neste patê, uma vez que hoje são discutidas a implantação destes alimentos nas dietas de peixes ornamentais. Segundo GUERREIRO, os custos com alimentos de origem animal são bastante elevados, o que torna importante o uso de outras alternativas para peixes palhaços. Vegetais são boa fonte de fibras(atuantes na digestão), carboidratos(que começaram a ser mais utilizados na alimentação de peixes, mas ainda necessitam de estudos sobre os efeitos) e também de algumas vitaminas.
Já o mexilhão, um molusco muito utilizado na alimentação de peixes, e a vieira, um molusco bastante utilizado em alimentos mais refinados(já que seu custo é bem "salgadinho"), foram inseridos exclusivamente neste patê por serem fontes de proteína e também de vitaminas. Apresentam uma porcentagem baixa de gordura, mas uma quantidade razoável de ácidos graxos essenciais em suas composições. Além disso, ambos moluscos são ricos em um mineral chamado selênio, que  atua conjuntamente com a vitamina E sobre os danosos radicais livres, estes que são resultados de um processo de oxidação de  ácidos graxos, o qual causa danos a célula animal. Selênio e vitamina E são também importantes na reprodução pois colaboram para que a espermatogênese e fertilização ocorram, uma vez que impedem que os lipídeos dos organismos animais sejam "atacados" pelos mesmos radicais livres.


A ração industrial utilizada neste patê, foi misturada com o intuito de ser dado aos animais um maior balanceamento de nutrientes enquanto o coração de frango, por sua vez, foi colocado como uma fonte de gordura para essa dieta.
A consistência do patê, como pode se observada na foto inicial, não é nem muito pastosa e nem muito líquida. Às vezes, ao descongelarmos um cubo utilizado no dia, precisávamos de um pouco de aplicação de água neste patê, pois as partículas ficavam bem sólidas no descongelamento, sendo que sempre haviam algumas bem grandes que eram quebradas com um pouco de esforço por parte dos peixes.


A coloração avermelhada(que facilitou na limpeza nos aquários, uma vez que eles eram escuros) é devido a presença da ração de cor avermelhada, o que acabou dando essa tonalidade ao batermos no liquidificador. 
A fórmula deste patê é atribuída ao Cássio Ramos, o primeiro criador de peixe palhaço no Brasil.

PATÊ P2


A diferença desta dieta está relacionada a presença de alga nori(aquela mesma utilizada na culinária japonesa) e do complexo vitamínico.
A alga nori, que foi a grande responsável pela coloração esverdeada deste patê, é riquíssima em proteína e por isso seu uso com outros ingredientes no patê, já que proteína é muito importante para os peixes palhaços. 
O complexo vitamínico foi escolhido pela necessidade de seu suplemento, pois, por mais que as fontes utilizadas nesse patê possuam vitaminas, ainda há a necessidade de adição. 
Em relação a consistência do alimento P2, pode-se dizer que de todos ele foi um dos que melhor se apresentou entre os três patês utilizados. Ao contato com a água, ele se quebra com muita facilidade, porém, por essa razão, é preciso certo cuidado em sua oferta, uma vez que sua quebra espalha bastante as partículas, que são facilmente ingeridas pelos peixes palhaços. Assim, muitos resíduos provenientes deste patê foram observados durante a limpeza dos aquários, o que não é muito desejado.

Restos de comida tirados dos aquários. Observe que há vários resíduos verdes, proveniente principalmente do patê P2.

PATÊ P3



A particularidade deste patê está na presença da alga spirulina e do alimento liofilizado, chamado Cyclop-Eeze(aquele mesmo que demorou para chegar até nós).
A spirulina é uma microalga que serve como ótima fonte de proteína, apresentando também muitos aminoácidos essenciais em concentrações adequadas. Essa também é rica em carboidratos,vitaminas e minerais, além de ter boa concentração de lipídeos. Para o experimento, a compramos na forma de pó.

Spirulina em pó

O Cyclop-Eeze é um alimento composto por micro-crustáceos criados no Ártico que passaram por um processo de  liofilização, ou seja, foram desidratados a uma baixa temperatura, não perdendo então suas propriedades naturais. Esse processo de liofilização é interessante em termos de conservação do alimento, uma vez que assim que este tiver contato com a água ele volta a sua forma natural. Por essa razão, associada a qualidade nutricional excelente do produto(quantidade alta de ácidos graxos essenciais, astaxantina, proteína, etc.) o produto foi incluído no patê P3.
Em relação a consistência, podemos dizer que o patê P3 foi o que mais deixou  a desejar. Ele ficou extremamente pastoso e se dissolveu muito na água, em alguns casos quase sumindo antes que os peixes se alimentassem. Por essa razão, algumas vezes tivemos que oferecer este alimento em maiores quantidades, o que só não foi um problema maior no experimento pois já estávamos ofertando alimento livremente(sem medidas exatas).
A coloração deste patê é resultado da spirulina, que apresenta uma coloração verde bastante forte.



REFERÊNCIAS:
* GUERREIRO, Jussara de Almeida. REPRODUÇÃO DE Amphiprion ocellaris (Cuvier, 1830) ALIMENTADOS COM FARINHA DE LINHAÇA (Linum usitatissimum L.) EM DIFERENTES CONCENTRAÇÕES. Engenheira de Pesca Universidade Federal do Ceará, 1983.
*http://www.protegeoqueebom.pt/2010/02/18/as-propriedades-do-marisco/

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